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Body Stuff  
Released:  9/10/2005 6:20:51 PM
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Body Stuff - LiveJournal.com


Contents:

A cadeira do escritório

Durante os últimos 10 dias estive envolvida com essa dor insuportável logo abaixo dos rombóides do lado esquerdo. Logo de cara parecia compressão de nervo para o Bernardo, que teve que me acudir até mesmo num sábado à noite. Para o Fabiano, houve envolvimento muscular em toda a região por conta de meses de uso de uma cadeira de plástico vagabunda no trabalho, que se ajustou perfeitamente à minha tendência de adotar péssimas posturas à frente do computador. Mas outros fatores parecem estar envolvidos, como um desequilíbrio muscular (peitoral muito fortalecido e dorsais fracos) e protrusão de ombros.

O que quer que tenha sido, não passou ainda, mas pelo menos já consigo escrever um pouco.

Troquei a cadeira por uma caríssima, toda ajustável, mas ainda não é aquela Brastemp para proporcionar uma postura perfeita em alguém como eu, nanica e hiper-ativa.

Na minha opinião, também houve um fenômeno bola de neve aí: algum fator de stress deflagrou o problema cujas condições já estavam dadas (má postura, desequilíbrio muscular, etc). Ter que ficar sem trabalhar e observar perda de força geraram mais tensão, essa tensão adicional agravou o quadro, que por sua vez me afastou mais ainda dos meus projetos e a coisa atingiria rapidamente massa crítica para uma explosão atômica caso eu não tivesse me dado conta desta dimensão emocional.

Dor ou não, cortei os analgésicos fortes e tenho adotado estratégias estranhíssimas por conta própria, como treinar o lado esquerdo a tornar-se mais “dextro” para habilidades (“skill”) e, quem sabe, influenciar sua resposta neural. Escrever com a mão esquerda, jogar bolinhas e outras coisas esquisitas. Também tenho tentado tomar vergonha na cara e praticar a sério alongamento todos os dias. Se por isso ou não, o quadro tem melhorado BEM devagar...

 




A medicalização e patologização da gravidez e parto

A gravidez e o parto foram, nas sociedades pré-modernas e tradicionais, o domínio das mulheres. Nesse tempo ou circunstâncias, eram processos corriqueiros, parte do ciclo da vida e administrados com certa trivialidade. A mobilidade nunca foi um problema. Penso até que não era sequer questionada.

Desde sempre, no entanto, houve uma certa tentativa de coerção, já que são os eventos da vida social onde a natureza invade o mundo da cultura, do arbítrio, da vontade humana (e dos homens). As mulheres sempre representaram esse perigoso veículo do mundo caótico da natureza sobre o mundo arbitrário da cultura, e daí todas as medidas disciplinares sobre elas e suas explosões de naturalidade: menstruação, gravidez, parto e humores inexplicáveis.

Lá pelo Renscimento a segunda tendência venceu e a gravidez e parto foram medicalizados: as mulheres se tornaram secundárias, incluindo a própria parturiente, e os homens, agora cirurgiões e médicos, se tornaram os protagonistas do ato. Da posição ativa de cócoras, fazendo força, a mulher foi deitada na passiva impossibilidade de participar. As outras mulheres no máximo ajudavam.

Com a transferência para hospitais, os partos ganharam a macabra condição de riscos letais de grande magnitude, com altas taxas de infecção puerperal. Até que se descobrissem os princípios da assepsia no século XVIII, parir era perigoso.

Assim, o passo entre a medicalização e a patologização da gravidez e do parto foi curto. Grávidas se tornaram “pacientes” – passivas e doentes.

Gente passiva e doente é sedentária.

Forma-se assim o círculo vicioso da morbidade no que naturalmente jamais o foi.

 


Cirurgia, infiltração ou insistir na fisioterapia?

Insistir na fisioterapia – foi minha resposta ontem ao Fabiano. Ele me elogiou. Nem anti-inflamatório: a eletro-acupuntura que ele me aplica a cada 15 dias dá conta da dor e da inflamação, permite que meu organismo se vire e vá cicatrizando. Toda quarta Bernardo faz um tratamento de manipulação, quiropraxia, ultra-som e laser. Todos os dias eu alongo e faço gelo e contraste (não por indicação, mas porque o gelo me provoca muita dor). Durante este mês em que adotei uma abordagem mais séria à dor, também foi o mês em que passei a treinar mais sério e pesado, me preparando para competir. Obviamente o stress sobre a articulação lesionada é enorme. Mas antes de mais nada, eu acredito no meu próprio poder de curar essa coisa. Assim foi com o nervo ulnar: só eletro-acupuntura e fisioterapia. Assim será com a epicondilite.

 

 




Problemas de saúde quando se compete em cidades de grande altitude

Meus amigos estão agora num campeonato sul-americano de powerlifting em Quito, no Equador. A maioria está passando mal. Fui tentar achar alguma coisa a respeito na web para ajudá-los e reproduzo aqui, para utilidade pública.

Trata-se da tal "Acute Mountain Sickness", que pode evoluir para um quadro sério chamado HAPE (High Altitude Pulmonary Edema). Primeira coisa: todo mundo tem que tomar MAIS água do que o normal. Sangramento de nariz, náusea, dificuldade em dormir, sensação de se estar drogado são sintomas comuns. NÃO TOMAR ÁLCOOL DE FORMA ALGUMA - pode evoluir para coma.

Remédios que achei:

Acetazolamide, Diamox (usam para glaucoma, problemas de altitude e tal, mas é também diurético, ESTÁ NA LISTA DE SUBSTÂNCIAS BANIDAS PELA WADA DE 2008 http://www.wada-ama.org/rtecontent/document/2008_List_En.pdf )

Sumatriptan (Imitrex, Imigran, Imigran Recovery) - usam para enxaquecas. Não é banido pela WADA.

Outra coisa que li aqui que pode aliviar o mal estar: a cada cinco minutos fazer uma hiperventilação profunda de umas 10-12 respiradas rápidas profundas. Fazer isso até melhorar um pouco.

Outras possibilidades incluem algumas substâncias anti-inflamatórias esteroidicas, que podem dar problema do AD.

Outra coisa: NÃO TOMEM ANTI-HISTAMINICO. Não é alergia e li aqui que anti-histaminico pode fazer a Acute Moutain Sickeness evoluir para HAPE.




Qigong não é powerlifting

Embora tenham muitas relações e um influa diretamente sobre o outro, não são a mesma coisa. Não se pode abordar qigong com esse jeitinho delicado que eu tenho com o levantamento de peso, onde a única coisa que pode me impedir de executar um movimento é a impossibilidade fisiológica. O “vai e foda-se” não funciona... É bom. Outro aprendizado. O tal “ouvir o corpo”, que comigo só funcionou no passado quando ele gritou muito alto.

 


O céu segundo basistas

Ontem, conversando com um amigo que acompanhou minha euforia no honroso recebimento do melhor equipamento de powerlifting do mundo, disse a ele que me sentia como estivesse no Céu. Basista morreu e foi para o Céu. Como é o Céu dos basistas? Como falávamos de equipamento e partilhamos o mesmo entusiasmo pelo desafio de um bom e difícil material, minha primeira imagem era uma estante cheia de camisas, macaquinhos, faixas e todos os outros materiais. Todos no meu número. Nada de ter que ajustar alça ou apertar aqui ou ali. Tudo sob medida. Depois, vários tablados. Não um tabladão: vários quadrados de tablados, devidamente respeitados. Os anilheiros seriam uns anjos que não fariam esforço algum para carregar barras com o peso que fosse. Spotters também, mas seria desnecessário serem tão eficientes: se caísse a barra no pescoço, tudo bem. Eu já estaria morta mesmo. Deus consertaria rapidinho e eu continuaria supinando. Não haveria overtraining e eu poderia fazer máximas todo dia. Aliás, toda hora. E lesões? Que lesões??




Mulheres – re-vendo a literatura e meu curso
 

Estou reformulando todo o conteúdo dos cursos sobre treinamento para mulheres. Sim, “cursos” no plural. Não há mais como abordar isso sem criar compartimentos quase auto-sustentáveis. O primeiro foi sobre apropriação do corpo, e mereceria um volume por si. O segundo é sobre as fases do desenvolvimento. Me deparo com a controvérsia no campo e diante da obrigação de dar sentido a ela, oferecer uma explicação que oriente quem precisa usar essa informação para tomar decisões relativas a pacientes, alunas e atletas. A pesquisa é precária, a metodologia incompleta e a falta de uma abordagem inter-disciplinar gritante. O pior mesmo, eu acho, é com relação a grávidas. Inexiste um estudo decente sobre força e treinamento de força em gestantes. Quantos anos teremos que administrar o preconceito e mediocridade acadêmica, que só prescrevem “caminhadas leves” a grávidas, diabéticos e idosos? Às vezes me cansa.

 




Raw

Eu ainda não tenho claro se a parada visível no peito no supino raw não deveria ser realmente bem discreta e limitada. Histórias de horror de rupturas totais ou parciais de tendão do peitoral ou mesmo do músculo andam flutuando pela minha mente. Penso que essa isometria prolongada no ponto de maior estiramento do músculo não é das melhores coisas do mundo e lembro dos grandes atletas da era heróica do powerlifting, quando não existiam as roupas-suporte, tantos dos quais tiveram lesões sérias e irreversíveis neste exato momento crítico...

 


O crescimento desordenado de ervas e sites pessoais

Sabe por que eu recusei ajudas para arrumar meu site original, o bagunçadíssimo “bodystuff.org”? Porque a lógica dele é a do mato do quintal. Ele cresce segundo forças pouco controláveis, como minhas próprias demandas e atividades, interesses, ou novidades na literatura científica e no esporte.

Agora haverá toda uma sessão sobre mulheres por causa dos cursos sobre treinamento para mulheres que estou dando. A necessidade de atualizar a bibliografia gerou esse broto no mato do site.

Outros aparecem do nada, fica difícil linkar, mas estão lá, como o de plantas medicinais e de fontes vegetais de proteína.

Meu site tem isso em comum com o quintal: não combinam com paisagismo tradicional.

 


Epicondilite Lateral

Dói.

Acheflan ajuda muito – único tópico eficaz, e olhe que já testei de tudo.

O livrinho (ou qualquer coisa que você leia ou escute do seu médico) diz para só re-começar atividades e fisioterapia após cessar a dor.

Ha.

Ha.

Ha.

Epicondilete lateral não é “tennis elbow” para nós, é “bencher’s elbow” e nesse caso, não há “cessação da dor”.

Medite, abstraia a dor e give that bar the ride of its life, como disse meu amigo Jason.

(depois leve um esporro do seu fisioterapeuta e do seu ortopedista, tome um anti-inflamatório e vá dormir)

 


GPC BRA

Finalmente consegui pagar a taxa do país no GPC. Eu fico me perguntando quem ganha infernizando a vida das pessoas que querem remeter quantidades moderadas de dinheiro para o exterior. Depois de quase virar do avesso de tanta raiva porque a receita federal taxou o equipamento comprado por um amigo, o qual eu fui recuperar no Correio central, só posso imaginar uns funcionários públicos muito mal resolvidos com sua vida sexual e profissional. O pacote do meu amigo valia US$ 42,00 e era um equipamento de powerlifting para alta performance. O sujeitinho da RF teve a pachorra de chutar um valor qualquer, abertamente acusando o vendedor de mentiroso quanto aos US$ 42,00, e decidir um imposto de 60% sobre o valor chutado, pois deve ser um gordinho sedentário que não faz a mais remota idéia do que seja uma camisa de supino. O que esse cara ganha sacaneando um atleta de powerlifting? Enquanto milhões de dólares escorrem por furos de natureza bem mais sinistra, em exportações com containers inteiros de produtos naturais amazônicos, por exemplo? Nada – só o prazer temporário derivado da certeza de ter sacaneado um outro otário de classe média que não foi esperto o suficiente para contrabandear o material.

GPC quer dizer Global Powerlifting Committee – uma séria federação internacional esportiva. O Banco do Brasil taxaria em 50% minha remessa a eles, e só faria mediante documentação. Por que? Qual a justificativa para obstruir relações esportivas, científicas ou artísticas?

O pessoal do GPC foi incrivelmente flexível e deram um jeito de receber o dinheiro, depois de semanas de tentativas frustradas. Além de flexíveis, são generosos e solícitos. Oferecem de tudo – desde sugestões até ajuda com treinamento. Estou muito otimista com a perspectiva de trabalhar com eles.

Chequem o site deles: http://www.globalpowerliftingcommittee.com/

 

 




Curso: Estratégias de treinamento e dieta para controle da composição corporal
Espero que gostem!

  

http://www.bodystuff.org/cursotreinamento01.html


Férias forçadas até meados de setembro

Amigos,

Por total falta de tempo, devo voltar a escrever regularmente aqui somente em meados de setembro. Espero que compreendam e voltem!

Abraços

Marilia




Re-conhecimento e auto-retrato

Até 2004 eu tinha horror que me fotografassem. Mas me fotografaram – tenho várias fotos que sobraram dos meus impulsos de rasgá-las. Eu as rasgava ou simplesmente arquivava porque não me reconhecia nelas. Aquela mulher ali retratada não era eu.

Quando comecei minha jornada de integração, uma das primeiras coisas que fiz foi, sem muita noção do que fazia, me fotografar. Eu havia sido bem sucedida em reconstruir um corpo desintegrado – agora precisava reconhecê-lo. Isso passou pelo auto-retrato.

Um dos primeiros auto-retratos foi inspirado pelo trabalho de Ellen Fisher Turk com mulheres com sofrimentos corporais importantes, chamado também de “phototherapy”. Troquei alguns e-mails com essa fotógrafa a respeito de minhas cicatrizes. De uma vez por todas, eu precisava fazer as pazes com as marcas da guerra que eu travava contra a desordem bipolar. Cansei de responder “ah, foi um acidente com vidro...” às constantes perguntas sobre as cicatrizes do meu corpo. Fotografei então a pior delas:

 

 

Estas fotos são de agosto de 2005, logo após a tentativa de suicídio.

Depois disso, criei meu site e minha irmã fez uma montagem com o mais célebre dos meus auto-retratos, o das costas. Isso foi ainda em 2005. Na mesma época, fiz outros auto-retratos relacionados ao meu “novo” corpo.


 

 

A fase mais recente, de 2007, é cheia de auto-retratos mais realistas, onde acho que quis captar o que sei ser minha característica mais marcante: o olhar duro. Vi esse olhar em câmeras alheias, mas não na minha.

 





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